11 de agosto de 2016

19. Someone that pesters your mind - good or bad

R.,

Não gosto de ter a palavra 'ódio' no meu vocabulário, mas quando seu nome surge em uma conversa, essa é possivelmente a única palavra para definir o sentimento que me invade em questão de segundos. Eu não gosto de ser esse tipo de pessoa que nutre tamanho ressentimento por alguém a ponto de deixar a negatividade afetar meu bem-estar físico, mas é esse tipo de pessoa que eu me torno quando você está por perto. Quando notam a minha mudança de semblante e me perguntam o motivo de tal defensiva, costumo dizer, com certo sarcasmo, que não tenho nada contra ti, mas também não me importaria se você caísse no fundo de um poço. Elas riem. Eu rio. Mas só Deus sabe o fundo de verdade que tem nessa brincadeira. Você entrou na minha vida por associação e tenho poucas lembranças daquela época. A princípio eu não sabia, mas você criaria raízes como uma erva daninha, que se tornaria impossível de arrancar, e ainda tomaria uma das pessoas mais importantes para mim.

Não gosto de você pelo que você é. Sua história de vida não tem nada de brilhante e ainda assim a sua personalidade não demonstra um pingo de humildade, tornando difícil para qualquer um com bom senso de gostar de você. Não sei porque você achou que, simplesmente por ter entrado na minha vida sem convite, tinha liberdade para opinar sobre assuntos privados e me criticar durante o discurso não requisitado. Tenho muitos defeitos, sei disso, mas o mínimo que eu espero é que alguém tente conquistar um pouco de intimidade comigo antes de me apontar o dedo, e tornar a crítica construtiva, caso contrário, tudo o que você conseguirá é a minha antipatia e o título da pessoa inconveniente que você é. Foi mais de uma década convivendo dessa maneira - seus poucos atributos somados à suas atitudes e palavras desmedidas tornava cada vez mais difícil de me abrir para você. Até que no período mais sombrio da minha vida, sua intromissão foi o limite.

Não gosto de você por ter me tomado aquela pessoa. Não faço a menor ideia de quem você acha que seja para se considerar boa o suficiente para viver com ele para o resto da vida de vocês. Boba fui eu por ter não percebido antes que a conexão entre vocês estava indo longe demais e pesaria para mim. Boba fui eu por só ter me manifestado quando minhas palavras não teriam efeito algum - pelo contrário, elas se voltariam para mim e me machucariam com seu corte afiado. Você deve ter rido e ficado satisfeita consigo mesma, não é? Imagino que sim.

Não gosto de mim pelo que sou quando penso em você. Acredito que o ser humano tem várias facetas, e se todas elas fazem parte da sua persona, não há motivo para condená-las. Exceto que a minha faceta em relação a você não tem controles e me assusta. Um mero pensamento relacionado me dá um gosto amargo na boca, transforma meu sangue em veneno, meus olhares perdem o pouco brilho que têm e toda a sorte de ideias cruéis passeiam pela minha mente. Tenho ciência de que talvez você não seja tão ruim como eu a enxergo, você é uma pessoa que pode agradar a muitos da mesma forma como me desagrada. Mas você errou por ter se associado a alguém que me pertence. Você errou ao tentar mudá-lo. Você errou ao tentar afastá-lo de mim.

Mais tempo passou desde que esse drama com você se instalou na minha vida como um câncer e não vejo solução. Livrar-me de você seria cortar uma parte vital de mim. Então, coexisto contigo como posso; sendo toxicada aos poucos, tendo dias ruins e dias menos piores. Torcendo para que um dia o destino tenha misericórdia e me traga paz, da maneira que for: extraindo você de mim ou me silenciando para sempre.

Esta carta faz parte do 30 day letter challenge que cumprirei semanalmente com a Thay. Algumas cartas serão verdadeiras, outras fictícias - deixo sua imaginação descobrir.

4 de agosto de 2016

18. The person that you wish you could be

Y.,

Ao ver o tema dessa carta, eu soube desde o começo para quem escrever. Só não sabia ao certo como colocar em palavras tudo o que penso e sinto a respeito de não desejar ser ninguém mais além de mim mesma, só em uma versão melhorada. Porque, por mais que a minha vida não seja perfeita, cresci saudável e tive oportunidades que não é todo mundo que tem. Eu reconheço isso, e que bom para mim. Por mais que eu esteja passando por uma fase difícil comigo mesma, você sabe que eu sei que tudo que envolve a nossa vida é especial à sua própria maneira e nós gostamos disso.

Por mais que seja complicado estar na minha pele, eu gosto dos meus pais e das memórias que tenho com eles. Eu gosto da educação que recebi e do nome que me deram - e que é difícil fazer alguém entender de primeira, mas hoje vejo que graça nenhuma teria se eu tivesse um nome comum. Gosto das amigas que fiz nessa vida e isso é o suficiente para me impedir de me imaginar no lugar de qualquer outra pessoa no mundo. Só que hoje eu tenho uma porção de problemas que me afetam de tal maneira que meu corpo é considerado uma prisão, e a falta de controle sobre as emoções me faz tomar atitudes impulsivas com consequências nada agradáveis, nem para mim, nem para as pessoas que me cercam. E você, que está aí num futuro não muito distante, eu espero, tem certo domínio sobre si mesma e é por essas outras que te tenho como modelo.

Pode soar um tanto esquizofrênico utilizar no mesmo texto a primeira pessoa do singular e do plural, mas embora sejamos um único ser, nos imagino como duas pessoas distintas. As características que nos separam, os defeitos que você soube trabalhar, te tornam um pouco melhor aos meus olhos, alguém à parte do que sou hoje, da mesma forma que o nosso eu do passado com sua ingenuidade pueril e um futuro promissor pela frente também parece ser uma terceira pessoa. Eu tenho muito afeto por vocês, e espero que quando você chegar a ser, não olhe para trás e me veja com ressentimento.

Terei orgulho de você por todas as suas conquistas que hoje são meus planos borrados, por rir do fato de que um dia suas perspectivas foram indefinidas e por ter se retratado com todo mundo importante para você. Seus pontos fortes são o equilíbrio e a coragem que hoje me faltam, e isso é o suficiente para que você se sinta bem consigo mesma e consiga aceitar os outros defeitos que são inerentes a ti. Imagino, também, que você tenha a habilidade de usar as palavras com mais destreza do que hoje sou capaz de fazer. Não sei se fiz muito sentido até agora, mas, de qualquer forma, espero que você entenda nessas linhas tortas que a moral da história, como diz aquele filme que assistimos em 2012, é que "não quero ser ninguém além de mim".

Até um dia.

Esta carta faz parte do 30 day letter challenge que cumprirei semanalmente com a Thay. Algumas cartas serão verdadeiras, outras fictícias - deixo sua imaginação descobrir.
 
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